Terra à vista

IMG_8652Num outro continente, cujo oceano de águas claras e tépidas não comove muitas ondas, sinto um vento quente familiar. Por aqui o calor, mesmo não garantido, é temido. O verão anuncia um mês inteiro de sesta. Em Ferragosto se celebra metade desse mês incorruptível por compromissos e preocupações quaisquer. Aqui se respeita o cansaço. Mas estamos ainda no início de julho que avança menos com a expectativa dos zéfiros mornos mediterrâneos e mais com o regurgito de uma fria ressaca atlântica.
Vim reinventar meus horizontes. Encontrei portas e portos. E no meio do turbilhão interno dessa procura, nas minhas bandas de lá, rompeu-se o nó cego enferrujado pela maresia. Eu daqui fiquei a olhar, balbuciando “terra a vista” à proa do meu distante navio, vendo passar o primeiro grito da minha geração. Senti-me à deriva, flutuando o corpo nessas águas salgadas. Acima, um azul desmedido, abaixo, com os ouvidos submersos, um burburinho incógnito da minha Ilha de Vera Cruz.

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